*Na foto, eu e meu marido em uma festa. Para mostrar que também gostamos de nos divertir e ter uma vida normal.
Escrevo este texto para pedir perdão à você que acha que eu
posso tudo. Me sinto como alguém que parte o coração de uma criança ao
contar-lhe que o Papai Noel não existe, que todo aquele cenário do Natal é
montado pelos seus pais dá uma trabalheira e um gasto enorme.
Eu, Marcelle, sou Protetora de Animais desde que nasci. Não
é exagero não, minha primeira amizade foi com uma vira-latas chamada Pituca, a
qual eu dava as minhas bolachas antes mesmo de saber andar ou falar. Roubava
comida de casa e levava pra cães e gatos na rua, além de montar casinhas de
papelão com os cobertores das minhas bonecas para deixar os animais se
abrigarem.
O tempo passou, quando completei 18 anos, conheci a verdade
sobre o abate de animais e me tornei muito mais do que uma protetora, me tornei
Ativista na Luta por TODOS os animais.
Sempre fui voluntária, cuidando de cães e gatos. Quando vim
morar em Passo Fundo, isto não mudou e continuei fazendo o que sempre fiz,
porém mais. Eu e meu marido fundamos o ComPaTA, mudamos a nossa morada de um
apartamento para uma casa para poder abrigar alguns animais temporariamente e
adotar alguns outros mais.
Eu e meu marido trabalhamos, estudamos, gostamos de sair, ir
ao teatro, ao cinema... Somos pessoas normais. Aí é que vem a decepção: Nós NÃO
SOMOS “ANJOS NA TERRA”, somos pessoas normais! Não somos ricos, temos muitas
contas a pagar todo mês, assim como você que está lendo este texto. Não moramos
num enorme sítio com milhares de hectares de terra e não temos nenhum empregado
para limpar a nossa casa.
Nós, quando resgatamos um animal, levamos o animal (sujo,
fedido, pulguento, ensanguentado) dentro do NOSSO carro, que fica sujo. Levamos
o animal para atendimento Médico Veterinário e PAGAMOS por isso, e, por fim,
levamos o animal para a NOSSA casa, onde ele fica até que encontre um novo lar.
Nada disso é fácil pois depende de tempo, de energia, de
dinheiro. Mas também não é impossível! No momento nós não temos como acolher
mais NENHUM animal. O motivo? Não temos espaço em nosso lar, não temos dinheiro
para arcar com estas despesas e por último, não temos tempo e energia para
limpar tanta sujeira e dar atenção a eles.
E ainda tem gente que não entende isso e fica criticando, maldizendo, e difamando o trabalho realizado por mim e pelo ComPaTA... Como diz uma amiga minha: "Se uma ONG junta 50 animais e deixa de atender apenas 1, esta ONG não presta. Se uma pessoa vai lá e cuida deste 1 vira uma Santa!".
Portanto, peço para que as pessoas parem de me fazer o “favor”
de avisar quando encontram um animal na rua! Não vou lá ajudar, afinal, se você
passou por ali e não fez nada a culpa também é sua, e não é nada minha!
Sugiro que as pessoas comecem a cobrar providências nestes
casos, mas que cobrem da pessoa certa! Cobrem do nosso Prefeito! Os animais são
Tutelados pelo Estado, então é a Prefeitura quem deve arcar com este trabalho,
e não eu, você ou o ComPaTA.
Sei que a prefeitura é omissa, e não tem interesse em
resolver esta questão. Então, quando encontrar um animal, faça você a sua parte.
Coloque no seu carro (se não tem carro, peça para um amigo e pare de
choramingar), leve para um veterinário e ASSUMA as despesas deste animal (a
maioria dos veterinários entende a situação e faz desconto ou parcela em
várias vezes o valor do tratamento nestes casos) e por último: LEVE pra sua
casa até que encontre um lar para ele! Se você não vai fazer isso, não fique
esperando que alguém faça por você.
Escrevo este texto não apenas para expor a minha situação, mas a de todos os membros do ComPaTA.
Saudações Abolicionistas,
Marcelle Nedel - Presidente do ComPaTA







